Nesta terça-feira (19), o Fórum Permanente dos Direitos das Pessoas com Deficiência e o Fórum Permanente de Saúde Pública e Acesso à Justiça, ambos da Escola da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro (EMERJ), realizaram o encontro Evidências Científicas sobre o Lipedema.
O evento aconteceu presencialmente no Auditório Desembargador Paulo Roberto Leite Ventura. Houve transmissão via plataforma Zoom, com tradução simultânea para a Língua Brasileira de Sinais (Libras).
Abertura
A presidente do Fórum Permanente dos Direitos das Pessoas com Deficiência e mestra em Saúde Pública pela Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca da Fundação Oswaldo Cruz (ENSP/Fiocruz), juíza Adriana Laia Franco, destacou: “Nós escolhemos esse tema porque, até o ano passado, a maioria das pessoas não conhecia a palavra ‘lipedema’ e eu particularmente também não conhecia. Sempre ouvimos falar sobre obesidade e, no campo da saúde, tratávamos muito da cirurgia bariátrica como algo médico e judicializado, mas não relacionado diretamente a outras áreas. Para nós, o lipedema foi uma novidade. Esse assunto ganhou destaque a partir de um fato público, quando a Yasmin Brunet revelou ter sido diagnosticada com a condição. A partir daí, o tema alcançou a grande mídia e, logo, os grupos jurídicos que debatem saúde começaram a ensaiar discussões sobre o tema. Nós, aqui da EMERJ, tivemos a iniciativa de trazer três especialistas e intitulamos o evento Evidências Científicas sobre o Lipedema, porque hoje, efetivamente, o grande foco na judicialização da saúde, tanto pública quanto privada, é a questão da evidência científica. Esse é o ponto central que define o ‘sim’ ou o ‘não’. Por isso, nada melhor do que reunir três especialistas para o debate.”
Palestrantes
A chefe de serviço de Endocrinologia do Hospital Federal dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro (HFSE RJ), vice-presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia do Rio de Janeiro (SBEM RJ) e professora da Faculdade de Medicina do Instituto de Educação Médica - Estácio de Sá (IDOMED), Ana Carolina Nader Vasconcelos Messias, ressaltou: “Gostaria de começar agradecendo pelo convite de trazer um tema tão atual para esta casa, e é uma honra estar aqui. Para começarmos, eu sou endocrinologista e, quando falamos em lipedema, é preciso entender que se trata de uma doença de tratamento com gênese multidisciplinar. A ideia de trazer esse tema para o fórum foi justamente compartilhar conhecimento com as minhas colegas que também lidam com a mesma patologia. O primeiro ponto central é entendermos que estamos diante de uma doença que não pode ser conduzida por um único especialista; é necessário ter uma visão ampla sobre ela. O lipedema é caracterizado pelo acúmulo anormal de gordura no corpo. E o que é importante para caracterizar a doença? Esse acúmulo é simétrico: quando identificamos lipedema em uma perna, por exemplo, ele precisa estar presente também na outra. O principal local de acometimento são as pernas, mas, em alguns casos, pode atingir também os braços. A distribuição da gordura é desproporcional em relação a outras partes do corpo, fazendo com que a metade inferior apresente um aspecto diferente da metade superior.”
A cirurgiã plástica, titular pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e membra efetiva da Associação de Ex-Alunos do Professor Ivo Pitanguy, Caroline de Paula Souza Vieira, salientou: “Eu sou uma entusiasta desse assunto e gosto de trazer o olhar da cirurgia plástica para esse problema que hoje em dia é tão comum e, na verdade, sempre foi comum, apenas era subdiagnosticado. É importante falar que o lipedema é uma gordura doente, porque é uma gordura que traz com ela alguns outros problemas, como problemas articulares, problemas no tecido conjuntivo, problemas no tecido vascular e linfáticos, e que vai trazer junto uma série de incapacidades para a paciente. A juíza Adriana Laia Franco mencionou a Yasmin Brunet e, quando ela falou sobre esse tema em um programa de televisão, foi um boom e começou-se a falar bastante sobre o assunto. Foi algo muito positivo, porque as pessoas começaram a ficar mais informadas. Escutamos muito no consultório as pessoas perguntando se hoje em dia todo mundo tem lipedema. A minha opinião é que, na verdade, isso ainda é subdiagnosticado. É claro que nem todo caso de celulite é lipedema, mas ainda acredito que seja subdiagnosticado por tudo o que vemos cientificamente, além da mudança que traz sofrimento, dor e frustração, causando também distúrbios psicológicos. Encontramos que em torno de 5 milhões de brasileiras possuem lipedema, mas o que se tem de concreto é que cerca de 11% das mulheres em todo o mundo têm a doença.”
A dermatologista especialista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e mestra pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Patrícia Medeiros Gusmão Acioly, reforçou: “Eu espero que essa minha contribuição sirva não só para ampliar o olhar científico, mas também a questão social, que impacta muito a vida dessas mulheres com lipedema. Geralmente, o dermatologista é o primeiro a ser procurado por essa paciente, que chega ao consultório se queixando de que não consegue emagrecer, acha que tem celulite e flacidez, mas, na verdade, muitas vezes já apresenta lipedema no grau 1 ou 2. É muito importante fazer esse diagnóstico precocemente, estabelecer o diagnóstico diferencial e, normalmente, o dermatologista é a porta de entrada para esse tratamento multidisciplinar, que é essencial nos casos de lipedema. Então, temos a participação do dermatologista, do nutricionista, do endocrinologista, do fisioterapeuta, do cirurgião plástico, do vascular, do psicólogo e do psiquiatra, porque essa questão tem um impacto muito grande no psicológico da paciente. Os principais motivos da ida ao médico são as preocupações estéticas, as alterações da pele e, nos casos mais graves, feridas que não cicatrizam. Isso porque, com toda a alteração da circulação linfática que acontece no lipedema, a pele sofre pela compressão do tecido gorduroso e pela alteração da circulação, sendo uma pele que acaba com deficiência de oxigenação.”
Assista
Para assistir na íntegra, acesse: https://www.youtube.com/watch?v=NJkU8qB5da4&ab_channel=EMERJ
Fotos: Mariana Bianco
19 de agosto de 2025
Departamento de Comunicação Institucional (DECOM)