Pular para conteúdo
EMERJ

Escola da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro

ícone da bandeira que traduz para o idioma Espanhol ícone da bandeira que traduz para o idioma Francês ícone da bandeira que traduz para o idioma Inglês ícone da bandeira que traduz para o idioma Português
Facebook da EMERJ Instagram da EMERJ X da EMERJ Youtube da EMERJ Flickr da EMERJ TikTok da EMERJ Spotify da EMERJ logo Threads  LinkedIn da EMERJ
Imagem da Fachada da EMERJ

Magistrados

Magistrados

Eventos

Eventos

Cursos Abertos

Cursos Abertos

Publicações

Publicações

Portal do Aluno

Portal do Aluno

Concursos EMERJ

Concursos EMERJ

EMERJ Virtual

EMERJ Virtual

Núcleos de Pesquisa

Núcleos de Pesquisa

Fale Conosco

Fale Conosco

ES | FR | EN | BR
 
Fale Conosco
Facebook da EMERJ Instagram da EMERJ X da EMERJ YouTube da EMERJ Flickr da EMERJ TikTok da EMERJ Spotify da EMERJ logo Threads  LinkedIn da EMERJ

Ex-aluna da EMERJ toma posse como juíza no Tribunal de Justiça de Minas Gerais

Ícone que representa audiodescrição

A ex-aluna da Escola da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro (EMERJ) Isadora Nicoli da Silva tomou posse como juíza de Direito substituta do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais (TJMG). A magistrada também integra a Comissão de Equidade de Gênero do TJMG, onde atua no fortalecimento de políticas institucionais voltadas à igualdade, à diversidade e à inclusão.

Natural da zona oeste do Rio de Janeiro e oriunda de escolas públicas, Isadora relata que a vocação para o Direito nasceu do enfrentamento cotidiano das desigualdades sociais. Confira abaixo a entrevista completa com a juíza Isadora Nicoli da Silva.

1. Magistrada jovem, negra, carioca, integrante da Comissão de Equidade de Gênero do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, como Vossa Excelência descobriu a sua vocação?

"O sonho de conquistar degraus mais altos por meio da educação sempre esteve na minha vida e foi incentivado pela minha família. Acima das circunstâncias e dificuldades, mantive o meu olhar sempre voltado para Deus e no amor Dele por mim. Com uma fé inabalável em Deus eu acreditei que um dia seria juíza, mesmo inserida em um contexto de classe baixa, moradora da zona oeste do Rio de Janeiro e oriunda de escolas públicas. Olhando para trás, lembro-me que, no ensino fundamental, eu e umas amigas iniciamos uma campanha contra as drogas, indo de sala em sala de aula, para falar dos prejuízos do uso de entorpecentes e sobre como deveríamos combater esse mal dizendo “não”. Bem, eu não conhecia pessoas usuárias de drogas de perto, mas o contexto social já me afligia. A violência contra mulheres e crianças também sempre me fez refletir, ainda muito jovem, sobre como agressores deveriam ser punidos e que cabia à sociedade, sim, intervir. Eram os pensamentos de uma menina de oito anos mais ou menos, foi fagulha que modificou o meu olhar em relação à vida. O fato é que a inclinação para o Direito não nasceu da tradição familiar, do acesso facilitado aos bens culturais ou a partir das possibilidades que se apresentavam, nasceu da realidade dura da vida, do confronto com as desigualdades e do desejo de poder fazer algo. E assim, entre a faculdade de História e o Direito, optei pelo último. Fui aprovada no vestibular para a faculdade de Direito da Universidade Federal Fluminense. Durante o curso, estágios e novas experiências, entendi que a magistratura estadual era a carreira mais alinhada aos meus ideais e que por meio da atividade jurisdicional eu poderia ajudar as pessoas a alcançar seus direitos. Eu descobri a minha vocação quando entendi que tudo o que eu sentia poderia ser traduzido no desejo de ser um instrumento de justiça."

2. Vossa Excelência é egressa do Curso de Especialização em Direito Público e Privado da EMERJ, que é preparatório para carreiras como a da magistratura. Qual é a importância deste curso em sua trajetória?

"Entre idas e vindas do trajeto do Rio para Niterói, eu passava pelo prédio da EMERJ e dizia, no meu coração, que um dia eu estudaria ali, com muita fé em Deus. Após a formatura na faculdade, em agosto de 2017, eu me esforcei e me dediquei muito ao estudo para o concurso de ingresso. Assim, fui aprovada com bolsa integral destinada para alunos negros, na época, eram 12 vagas. Saber o resultado da aprovação foi um dos dias mais felizes da minha vida. Iniciei os estudos no turno da manhã, em 2018. Logo percebi que tinha feito uma excelente escolha, tendo em vista que o curso oferece uma formação completa e que nos prepara para as fases do concurso da magistratura desde o primeiro dia. Com os casos concretos, treinamos para as provas discursivas diariamente. Os exames, que são quase semanais, nos forçam a enfrentar questões objetivas e discursivas com limitação de tempo. O estágio supervisionado por magistrados foi essencial, viabilizando o contato direto com a carreira, bem como suas dificuldades. Algumas pessoas da época do estágio no Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro me acompanham até hoje, as quais me incentivaram muito a estudar e a prosseguir com foco nos objetivos. Ao final, com o Trabalho de Conclusão de Curso, temos a oportunidade de exercitar a pesquisa de forma mais aprofundada. A apresentação do trabalho nos expõe ao exercício da prova oral. Concluí o curso em dezembro de 2020, com uma formação completa, com o título da pós-graduação, três anos de atividade jurídica comprovada e um trabalho publicado. Ser formada pela EMERJ ainda abriu diversas portas, tal como ser assessora de Desembargador a partir de agosto de 2021. Portanto, a EMERJ contribuiu muito para a minha trajetória, também exigiu bastante, mas tudo isso resultou na minha aprovação poucos anos depois, com muito foco, esforço, dedicação e fé."

3. Quais os avanços que a Comissão de Equidade vem alcançando no Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais?

"A Comissão de Equidade de Gênero do Tribunal de Justiça de Minas Gerais vem alcançando avanços consistentes e estruturantes, que demonstram o compromisso institucional do TJMG com a promoção da igualdade, da diversidade e da inclusão. Um dos progressos mais significativos está na consolidação de ações afirmativas voltadas à paridade de gênero na magistratura, especialmente no segundo grau de jurisdição, em conformidade com a Resolução CNJ nº 525/2023. A adoção de listas exclusivamente compostas por magistradas para o provimento de vagas e as recentes promoções ao cargo de desembargadora refletem um movimento concreto de enfrentamento das desigualdades históricas e de ampliação da presença feminina nos espaços de decisão. Outro avanço importante é o próprio fortalecimento institucional da Comissão de Equidade de Gênero, que passou a atuar de forma estratégica na implementação da Política Nacional de Incentivo à Participação Institucional Feminina. A Comissão tem se dedicado ao levantamento de dados, ao monitoramento de indicadores, à formulação de políticas afirmativas e à sensibilização do público interno, contribuindo para uma cultura organizacional mais atenta às questões de gênero e raça. Também merecem destaque os normativos institucionais que reforçam a representatividade, como a regulamentação da participação equânime de mulheres e homens em comissões e colegiados, o que amplia a diversidade nos processos decisórios e fortalece a governança do Tribunal. No campo da proteção e do bem-estar das mulheres, os avanços são igualmente relevantes. O TJMG passou a incorporar a perspectiva de gênero nas políticas de gestão de pessoas, com iniciativas voltadas à proteção de magistradas e servidoras em situação de violência, como a prioridade em editais de remoção, a possibilidade de cessão temporária e a regulamentação do teletrabalho como medida protetiva. Essas ações contribuem para garantir segurança, dignidade e permanência institucional. Por fim, a Comissão tem ampliado seu olhar para a diversidade e a inclusão, com projetos voltados ao letramento em gênero, raça e diversidade, à criação de ambientes mais inclusivos e à promoção de espaços permanentes de diálogo e formação. Esses avanços indicam que a equidade vem sendo tratada não apenas como um valor, mas como uma diretriz concreta de gestão, com impactos positivos tanto para a instituição quanto para a sociedade que ela serve."

 

22 de janeiro de 2026

Departamento de Comunicação Institucional (DECOM)