O Fórum Permanente de Diálogos do Judiciário com a Imprensa da Escola da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro (EMERJ) realizou, nesta quinta-feira (5), o evento Interseção entre Imprensa e Judiciário: Transparência e Ética.
O evento aconteceu no Auditório Desembargador Paulo Roberto Leite Ventura, com transmissão via plataforma Zoom e tradução simultânea para Língua Brasileira de Sinais (Libras).
Abertura
A vice-presidente do fórum, professora convidada da EMERJ e doutora em Direitos Humanos pelo Instituto Ius Gentium Conimbrigae (IGC/CDH), juíza Flávia de Almeida Viveiros de Castro, ressaltou: “Nós estamos aqui para tratar de um tema muito atual, que é a interseção entre imprensa e Judiciário sob o prisma da transparência e da ética. Se eu fosse apresentar alguma palavra sobre o tema, eu dividiria em três partes: a ética e a transparência no Poder Judiciário; a ética e a transparência na imprensa; e a ética e a transparência no relacionamento entre o Poder Judiciário e a imprensa. Quando falamos de ética e Poder Judiciário, devemos lembrar que a magistratura deve se pautar por imparcialidade, independência e respeito à lei. A conduta do magistrado ético deve ser íntegra, sóbria e responsável. A transparência, que é fundamental no relacionamento do magistrado com a sociedade, deve estar calcada em suas decisões e na fundamentação do que é decidido. Isso significa, de forma resumida, evitar privilégios e conflitos de interesse. Com relação à imprensa, o que se destaca é o compromisso com a verdade, que significa a obrigatoriedade da verificação dos fatos, o respeito à dignidade humana e, principalmente, a pluralidade de opiniões.”
Palestrantes
A coordenadora adjunta na área de Sociologia na Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), professora do Departamento e do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e doutora em Ciências Sociais pela UFSCar, Fabiana Luci de Oliveira, proferiu: “Eu pensei em abordar o que venho pesquisando, que é a relação entre imprensa e Judiciário, a partir de um caso-limite, que é o Supremo Tribunal Federal (STF). É isso que vou tratar aqui hoje, trazendo algumas ideias e alguns resultados das minhas pesquisas. Eu venho pesquisando essa relação a partir de uma pergunta muito simples: como a sociedade brasileira forma sua opinião sobre o STF? Nós sabemos que pouquíssimos brasileiros acompanham os julgamentos do STF e leem as decisões. Na prática, o que sabemos e o que a maioria das pessoas sabe sobre o STF e o Judiciário em geral é aquilo que a imprensa conta. É justamente isso que eu estudo: a imagem pública do STF na mídia, considerando principalmente os jornais. O que me interessa entender, e eu venho fazendo isso ao longo desses últimos 20 anos, é olhar para os jornais e portais de notícias como fontes de dados. Eu olho para eles não com uma preocupação das teorias da comunicação, mas entendo o que está chegando e o que as pessoas leem sobre isso.”
O evento recebeu a advogada e presidente do Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB), Rita Cortez, que afirmou: “Falando em transparência, já que o ponto comum, a interseção, é a transparência e a ética, tanto por parte do Judiciário quanto por parte da imprensa, eu fiz uns apanhados com relação à ética, porque é um comportamento em que a pessoa se defronta com valores e com exortações presentes de uma realidade social, vinculados ao aspecto moral. A transparência é falar com clareza e dar acessibilidade às informações e torná-las compreensíveis; ela vincula-se ao conceito de honestidade e responsabilidade. A ética e a transparência são os grandes pilares da democracia.”
O repórter especial do Jornal O Globo e autor do livro Milicianos: como agentes formados para combater o crime passaram a matar a serviço dele, Rafael Soares, manifestou: “Eu sempre fico feliz de falar em encontros como esses, porque estamos vivendo um momento complicado de relação entre mídia e sociedade. Atualmente, nós, repórteres, eu falo aqui que meu lugar de fala é o do repórter, fui e sou repórter a vida inteira. Comecei no Jornal Extra e cubro há 15 anos segurança pública. Hoje sou repórter especial do jornal O Globo e trabalho com as investigações especiais do jornal. É muito interessante que, ao longo desses 15 anos em que passei a desempenhar essa função, a relação entre sociedade e o que a imprensa publicava mudou profundamente. Quando comecei a trabalhar, tínhamos uma legitimidade com o público, e hoje essa relação é um pouco mais conturbada. Eu preparei minha apresentação com esse viés de tentar explicar um pouco dos bastidores do nosso trabalho e como é a produção de notícia, de uma investigação jornalística, e como isso acontece. Nesse processo, acho interessante abordar a relação entre fonte e jornalista, que é a base do nosso trabalho.”
Debatedores
Os debatedores do evento foram o jornalista e professor convidado da Pós-Graduação em Jornalismo da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e mestre em Comunicação Social pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), Geraldo Mainenti; a jornalista, advogada e membra do fórum Paolla Serra; e o advogado e membro do fórum Armando de Souza.

Assista
Para assistir na íntegra, acesse: https://www.youtube.com/watch?v=h3WKn2-66EU
Fotos: Mariana Bianco
5 de março de 2026
Departamento de Comunicação Institucional (DECOM)