O Fórum Permanente de Mobilidade Urbana da Escola da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro (EMERJ) realizou, nesta quarta-feira (15), no Auditório Desembargador Paulo Roberto Leite Ventura, o evento Soluções Viárias nas Grandes Metrópoles – O Exemplo do Projeto “Grand Paris Express”. O encontro foi transmitido pela plataforma Zoom, com tradução em Libras e tradução simultânea.
O evento foi realizado em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq); o Rastro; o CidMobi; o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Ippur/UFRJ); a CAPES/COFECUB; a EcoÁgua; o Espaço e Poder; a UFRJ; a Universidade Paris 1 – Panthéon-Sorbonne; o SERDEAUT; e o Groupement de Recherche sur les Institutions et le Droit de l’Aménagement, de l’Urbanisme et de l’Habitat (GRIDAUH).
Abertura
A abertura foi conduzida pelo presidente do fórum, desembargador Renato Lima Charnaux Sertã, que destacou: “O Fórum Permanente de Mobilidade Urbana foi criado neste contexto porque se trata de assunto que todos nós vivemos ao tentarmos nos movimentar em uma cidade grande, como o Rio de Janeiro. O tema escolhido para hoje é sobre um grande projeto que está em desenvolvimento na cidade de Paris, que certamente trará imensos benefícios àquela cidade mundialmente conhecida. Todos os projetos que serão objetos do nosso debate deverão passar sempre pela ideia de que nós temos direito a uma mobilidade, no mínimo, decente e que não nos exponha, até mesmo, ao perigo de perdermos nossas vidas ou nossa integridade física.”

Palestrantes
O evento teve como palestrante o diretor científico do GRIDAUH e professor da Université Paris-Saclay, Frédéric Rolin, que falou sobre o projeto Grand Paris Express, lançado em 2010, e proferiu: “A grande ideia é: desconectar as questões de transporte das questões de governança. O projeto Grand Paris Express, em números, é considerável, são 200km de construção de novas linhas ferroviárias, 68 novas estações. Temos uma primeira linha que foi colocada em serviço em 2024. Se você circula na Europa, você usa o antigo aeroporto de Orly e, agora, já tem o trem-bala, que leva diretamente do aeroporto ao centro de Paris.”

O diretor do GRIDAUH e professor de Direito Público da Université Paris 1 Panthéon-Sorbonne, Norbert Foulquier, destacou: “O custo global do Grand Paris Express não parou de ser avaliado ano após ano. No início, apostávamos em um projeto de 20 bilhões de euros, em 2018, o Tribunal de Contas avaliou em 38 bilhões e, hoje, em 2026, o Tribunal de Contas estima pelo menos 84 bilhões. Podemos nos perguntar quais são os motivos dessas reavaliações e por que mudou tanto? Primeiramente, para o projeto ser aceito, o custo financeiro muitas vezes foi subavaliado. Outra razão foi o financiamento da dívida. Uma grande parte do financiamento do Grand Paris Express é baseado em empréstimos e obrigações e, a partir de 2021, na França, as taxas de juros subiram. Outro motivo é a conscientização de que não basta construir o Grand Paris Express, mas também é preciso pensar em financiar o seu funcionamento.”

A doutora em Direito Público pela Université Paris II Panthéon-Assas e membro do GRIDAUH, Marion Chapouton, manifestou: “Eu vou falar do tema Grand Paris Express e construção de moradias. É um projeto de transporte, mas também de política de moradia. É um projeto de interesse nacional estruturante. A lei relativa ao Grand Paris Express, de 2010, diz que é um projeto urbano, social e econômico de interesse nacional. São três pilares dessa lei. O primeiro é uma infraestrutura como armadura urbana. O Grand Paris Express representa 200 km de metrô, 68 estações e até 3 milhões de passageiros por dia. Essas 68 novas estações formam pontos de apoio para os projetos de planificação de novos bairros. O desafio é essa centralidade urbana. O segundo pilar é a criação da sociedade do Grand Paris Express, que vai administrar a rede. O terceiro pilar é o contrato de desbloqueamento territorial, visando coordenar urbanismo, transporte, desenvolvimento urbano ao redor das estações e também a construção das moradias sociais.”

O professor da Université de Lorraine, membro do Institut de Recherches sur l’Évolution de la Nation et de l’État e do SERDEAUT, Vivian Laugier, salientou: “Os números do Grand Paris Express são impressionantes. Um projeto dessa amplitude também tem complicações. A configuração das obras do Grand Paris Express fez com que a maioria das novas linhas fossem subterrâneas, a 20 m debaixo da terra, o que é uma maneira de limitar os problemas. Apesar do cuidado com as obras subterrâneas, tem obras de superfície para permitir a viabilidade do projeto e vários problemas como impactos ambientais e fechamento de vias. Para responder a esses problemas, foi pensada uma estratégia de abordagem preventiva, antecipar os incômodos.”

Debate
Participou como debatedora no encontro a professora adjunta do Ippur/UFRJ e doutora em Planejamento Urbano e Regional pela UFRJ, Suyá Quintslr, que enfatizou: “Nós temos muitas semelhanças com o desenvolvimento parisiense. O professor Frédéric falou como a metrópole parisiense foi se desenvolvendo, com a urbanização muito voltada para a capital, para o centro da metrópole. A gente, no Rio de Janeiro, tem essa centralidade muito forte. Os serviços públicos muito concentrados na região central e na zona sul do município do Rio de Janeiro, seja dos postos de trabalho, dos serviços educacionais, dos serviços de saúde e as oportunidades de lazer também. Então, como é importante essa integração, claro, com o centro da metrópole, mas não apenas. Essa centralidade acabou gerando uma ausência de conectividade entre as periferias.”

A doutora em Teoria do Estado e Direito Constitucional pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e membro do fórum, Mariana Imbelloni Braga Albuquerque, concluiu: ”Acho que, em todas as falas, pensando na história urbana, na questão de financiamento, de moradia, sobretudo, como essa falta de planejamento joga os problemas para a responsabilidade civil.”
Assista
Para assistir na íntegra, acesse: https://www.youtube.com/watch?v=uKADsbc_GK0&t=5182s
Fotos: Diego Antunes
15 de abril de 2026
Departamento de Comunicação Institucional (DECOM)