O Fórum Permanente de Diálogos da Lei com o Inconsciente da Escola da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro (EMERJ) realizou, nesta quarta-feira (20), no Auditório Desembargador Paulo Roberto Leite Ventura, o evento Mulheres não nascem prontas, elas se reinventam: 40+. O encontro teve transmissão via plataforma Zoom e tradução em Libras.
Abertura
A abertura foi conduzida pela presidente do fórum, desembargadora Cristina Tereza Gaulia, que destacou: “Esse é evento é maravilhoso. Nós estamos com o livro Mulheres não nascem prontas. Eu li a obra. Alguns dos palestrantes que trazemos nesse Fórum Permanente de Diálogos da Lei com o Inconsciente são pessoas que estão muito próximas a nós e encaminham mecanismos de sanidade, porque o Direito, na verdade, trabalha com patologia do conflito. Todos que integram a grande família do judiciário, nós precisamos manter um equilíbrio. Esse é o ideário norteador desse fórum permanente.”
Expositores
A coordenadora da obra Mulheres não nascem prontas, elas se reinventam: 40+, psicanalista e membro titular da Formação Freudiana do Rio de Janeiro, Mônica Donetto Guedes, declarou: “É um prazer compartilhar com vocês o que pesquiso e vivencio na minha clínica. Eu queria falar com vocês o porquê do estudo sobre maternidade tardia, porque na clínica chegam duas situações: a mulher sofrida diante da angústia e da dor de não saber se ela, de fato, quer ser mãe. Então, a ideia do tardia não vem com o objetivo da maternidade, mas como um questionamento a respeito desse lugar da maternidade como compulsório, como todo mundo diz que eu tenho que ser mãe e por que eu não sou mãe? Por um outro lado, um tema que me interessa é a ideia de nascerem crianças mais saudáveis. E, muitas vezes, por conta dessa maternidade compulsória, as crianças nascem em uma situação de ter que lidar com uma mulher que não está com o desejo de exercer essa maternidade e isso vai trazer desdobramentos e complicações para o desenvolvimento emocional, relacional dessa criança.”
O desembargador Humberto Dalla sublinhou: “Me chamou muita atenção quando a Mônica falou do simbolismo, dessa experiência que nós, ainda filhos, irmãos, companheiros, nascemos sem a capacidade para conseguir compreender. São fatos que trazem a sensibilidade do olhar de quem não só estudou o assunto, mas que vivencia isso no dia a dia. Para nós, é uma experiência muito rica.”

O advogado com atuação exclusiva para mulheres no Direito das Famílias, Renê Freitas, enfatizou: “Nos dois últimos anos, eu ouvi 1.800 histórias, famílias. O elemento de gestação de filho, ao que me parece, já é um instrumento modificativo de comportamento daquele casal. Advogando só para mulher, no Brasil todo, é muito difícil ainda hoje entregar 50% de uma partilha para ela, porque tem uma compreensão do inconsciente de que é muito. Eu não me recordo de uma cliente ter falado para mim: ’Eu quero 100% dos meus direitos.’ Isso é muito sintomático, horroroso. Todas chegam na consulta querendo alguma coisa para sobreviver. E, aqui, eu falo de mulheres 40+. Não chegam em consulta detentoras de direitos, inclusive, quando as clientes são juízas, advogadas.”
A presidente da Comissão Nacional de Família e Tecnologia do Instituto Brasileiro de Direito de Família (IDBFAM) e doutora em Ciências Jurídicas e Sociais Aplicadas pela Universidad del Museo Social Argentino (UMSA – Buenos Aires), Patrícia Corrêa Sanches Lamosa, falou sobre assédios digitais e perseguição ao feminino nas redes sociais e ressaltou: “É muito importante a busca pelo tratamento igualitário. A isonomia não é algo negociável. Eu preciso ver as desigualdades para que eu consiga estipular os instrumentos de igualdade. Isso tudo para levar a esse momento em que as pessoas pensam que a internet é lugar de ninguém, um mundo paralelo em que as pessoas podem fazer de tudo. Eu trouxe para vocês números: nove milhões de brasileiras sofreram violência digital em 1 ano, mais de 100 mil denúncias de violência psicológica foram registradas no ligue 180 só em 2024. Em 2024, 1.459 feminicídios e, em 2025, 1.568, 4 mulheres por dia. 20% dos ataques on-line evoluem para uma agressão física.”
O membro do fórum, psicólogo clínico e coautor da obra Mulheres não nascem prontas, elas se reinventam: 40+, Eduardo Rawicz, salientou: “Nessa trajetória, uma das coisas que mais me impacta com relação às mulheres é que, quando ocorre uma separação em um momento mais adiante na vida, é muito importante, para a saúde mental, a reconstrução da vida afetiva e sexual. É muito importante não desistir. O meu capítulo fala da reconstrução da vida afetiva da mulher após o casamento. Se conseguimos superar um pouco os traumas de um casamento adoecido e se a separação não foi tão traumática, eu acho necessária a tentativa de reconstruir a vida afetiva na maturidade.”
O membro do Fórum Permanente de Biodireito, Bioética e Gerontologia da EMERJ e doutora em Ciências Jurídico-Sociais pela UMSA, juíza Maria Cristina Barros Gutiérrez Slaibi, participou do encontro como debatedora e concluiu: “Eu fiquei muito impressionada com as manifestações e nem sei dizer qual chamou mais atenção. Temos que trazer coisas preventivas e, na questão do filho, isso muda tudo. Às vezes, aquele pai nunca quis ser pai, a futura mãe conviveu, muitas vezes, com uma mãe que teve uma educação repressora e, claro, isso vai passar para os filhos. Quando você entende, tem como se auxiliar e auxiliar o outro.”
Assista
Para assistir na íntegra, acesse: https://www.youtube.com/watch?v=gU4vghV7apA
Fotos: Mariana Bianco
20 de maio de 2026
Departamento de Comunicação Institucional (DECOM)