Nesta sexta-feira (10), a Escola da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro (EMERJ) realizou a cerimônia de formatura do 1º semestre de 2026 dos alunos das turmas A e C do CP-VI, do Curso de Especialização em Direito Público e Privado, Turma Professor Marco Antônio Azevedo Júnior.
A solenidade aconteceu no Auditório Desembargador Antônio Carlos Amorim, do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ).

Abertura
Representando o diretor-geral da EMERJ, desembargador Cláudio dell’Orto, a conselheira consultiva da EMERJ e magistrada supervisora de Pedagogia e Ensino da Escola, desembargadora Patrícia Ribeiro Serra Vieira, destacou: “Nós temos a noção de que este é um momento de celebração não apenas da conclusão de uma etapa acadêmica, mas da consolidação de uma trajetória marcada por disciplina, compromisso e vocação. Hoje, nos reunimos para homenagear profissionais que escolheram trilhar um caminho exigente e admirável, qual seja, a preparação para a magistratura. Uma jornada que demanda estudo contínuo, responsabilidade, ética, equilíbrio, sensibilidade humana e o firme compromisso com os valores da Justiça. Concluir uma pós-graduação, na minha opinião, já representa, por si só, uma conquista significativa, mas concluir uma formação voltada à magistratura representa algo ainda maior: significa assumir com seriedade a missão de compreender o Direito não apenas como uma técnica, mas como instrumento de promoção da dignidade, da paz social e da cidadania. Cada formando que hoje celebramos carrega consigo horas de estudo, reflexão, renúncia e perseverança. Carrega também sonhos, expectativas e a disposição de servir à sociedade com retidão, independência e responsabilidade. Trata-se, sem dúvida, de uma conquista que merece ser celebrada com entusiasmo e gratidão. Nesse momento especial, eu gostaria de render homenagens a todos que contribuíram para essa jornada: mães, pais, companheiros, companheiras, filhos, coordenadores, colegas e amigos, que ofereceram conhecimento, apoio e incentivo ao longo desse percurso. Esta conquista também é fruto da confiança e da dedicação de cada um dos senhores que estiveram presentes em cada etapa dessa caminhada. Que esta formatura seja mais do que o encerramento de um ciclo; que seja o marco de um novo tempo, de novos desafios e de uma atuação cada vez mais comprometida com a Justiça, com a humanidade, com a ética e com o bem comum. A todos os formandos e formandas, a nossa admiração e os nossos cumprimentos. Que os senhores sigam firmes, guiados pelos propósitos que os trouxeram até aqui.”
Homenagens
Os alunos das turmas A e C do CP-VI do Curso de Especialização em Direito Público e Privado realizaram uma série de homenagens, começando pela entrega de uma placa ao professor, diretor administrativo da EMERJ e corregedor-geral da Justiça do Estado do Rio de Janeiro, desembargador Cláudio Brandão de Oliveira.
Ao homenagear o desembargador Cláudio Brandão de Oliveira, o aluno Gustavo Saraiva da Silva, da Turma CP-VI A, declarou: “Sua postura, serenidade e desenvoltura despertaram em mim, e acredito que em todos os meus colegas, um profundo respeito e uma sincera admiração. O senhor nos ensinou muito mais do que o conteúdo das disciplinas. Ensinou, sobretudo, pelo exemplo. Em nome de toda esta turma, queremos agradecer pela dedicação, pelos ensinamentos e pela confiança depositada em cada um de nós. Levaremos conosco não apenas as lições jurídicas recebidas em sala de aula, mas também o exemplo de um magistrado que honra a Justiça e de um professor que verdadeiramente acredita no poder transformador da educação. Desembargador Cláudio Brandão de Oliveira, receba nossa mais profunda gratidão, nosso respeito e nossa admiração. Muito obrigado por ter caminhado conosco nesta etapa tão importante de nossas vidas. Que Deus continue iluminando sua trajetória, para que muitas outras gerações tenham o privilégio de aprender com seu conhecimento, sua humanidade e seu exemplo. Em nome da Turma de Formandos da EMERJ, o nosso muito obrigado.”

O desembargador Cláudio Brandão de Oliveira reforçou: “Eu queria muito agradecer esta homenagem e quem me conhece sabe que eu não falo isso de forma protocolar. Eu sempre me emociono em cerimônias de formatura da EMERJ. Eu estou aqui há muitos anos e sou, além de professor, uma testemunha do esforço de cada um de vocês, desde o ingresso aqui na Escola, porque é um curso difícil. Vejo, nas aulas da noite, muitos chegando cansados. Então, eu sei o quanto custou para cada um de vocês chegar até aqui, neste momento, e me esforço muito, como professor, para tentar, de alguma forma, contribuir para esse processo de formação. O Brasil precisa não só de magistrados que conheçam o Direito, mas de magistrados que conheçam as pessoas, que tenham a percepção de que vão lidar com a vida e a honra das pessoas. A missão da EMERJ ultrapassa o dever de formar tão somente com o conhecimento jurídico, mas de formar magistrados que vão ter plena ciência da sua responsabilidade e da sua missão na sociedade.”
Seguindo o rito de homenagens, a aluna Patrícia Arbex de Souza Breves, da Turma CP-VI C, entregou uma placa ao professor que dá nome à turma, juiz Marco Antônio Azevedo Júnior, e pontuou: “O Professor Marco Antônio Azevedo Júnior foi, para todos nós, muito mais do que um docente. Foi uma referência constante de seriedade, compromisso e, sobretudo, respeito ao processo de aprendizagem. Em sala de aula, não havia espaço para a superficialidade. Cada conteúdo era tratado com profundidade, cada dúvida era acolhida com paciência e cada aluno era visto em sua individualidade. Sua didática não se limitava a transmitir conhecimento, mas buscava garantir que ele fosse, de fato, compreendido. Isso exige tempo, dedicação e, principalmente, vocação. Ao longo desses três anos, tivemos o privilégio de conviver com diversos professores que compreendem a docência em seu sentido mais elevado: como instrumento de formação não apenas técnica, mas também ética. Há três anos, cada um de nós atravessou as portas deste curso carregando um sonho. Alguns sonhavam com a magistratura; outros, com o Ministério Público, a Defensoria, a Procuradoria ou a carreira policial. Viemos de histórias diferentes, enfrentamos desafios diferentes, mas todos tínhamos algo em comum: a vontade de chegar mais longe. Professor Marco Antônio Azevedo Júnior, ao escolhermos o seu nome para representar esta turma, não fizemos apenas uma homenagem. Fizemos uma escolha consciente sobre quem queremos ser e os valores que pretendemos seguir. E, quando, no futuro, formos reconhecidos pela forma como exercermos nossas funções, que haja, em cada um de nós, um pouco do que aprendemos com o senhor. Muito obrigada.”

O juiz Marco Antônio Azevedo Júnior ressaltou: “É uma honra receber este convite. É a primeira vez que eu recebo essa homenagem, e isso coroa realmente a minha vida acadêmica. Ver o sucesso de vocês, justamente de uma das turmas com as quais eu mais me identifiquei, é muito gratificante e me enche de alegria e satisfação. A todos os presentes, familiares, pais, filhos, esposas, maridos, a todos vocês, o nosso mais sincero obrigado. Obrigado por oferecerem o apoio emocional necessário para que esses alunos se formassem. Obrigado pelo heroico empenho financeiro. E, principalmente, obrigado pelo sacrifício de tempo e de convívio familiar com os formandos. Se não fosse essa dedicação de vocês, esse resultado não teria sido possível. Vocês nos entregaram profissionais altamente qualificados e nós, da EMERJ, devolvemos a vocês todos eles formados. Muito obrigado por proporcionarem um ambiente acolhedor e permitirem esse sucesso. Aos formandos, essa honra de ser escolhido como nome da turma realmente transborda. Essa relação entre professor e aluno sempre será eterna. Daqui a 10, 15 ou 20 anos, nós vamos nos encontrar nas esquinas da vida jurídica, nas salas de aula, nas salas de audiência, nos corredores do Fórum, e sempre será essa alegria que estamos sentindo aqui hoje. Então, parabenizo a todos vocês por essa grande conquista. É um caminho muito árduo, eu sei, porque eu passei por esse caminho e conheço a qualidade, a envergadura e a exigência da EMERJ. Mas todo esse sacrifício valeu a pena, porque nós chegamos juntos, hoje, a esta cerimônia e a esta conquista de vocês. É um momento de glória coroando essa trajetória acadêmica e profissional.”
O aluno da Turma CP-VI C Danilo do Prado Silva realizou a homenagem e a entrega da placa ao paraninfo da turma, doutor Thiago Ferreira Cardoso Neves, e destacou: “Um dos homenageados de hoje é o professor Thiago Neves, a quem tenho a honra de agradecer em nome de todos os formandos aqui presentes. O professor Thiago não é apenas um brilhante advogado, um mestre civilista ou alguém que tem pleno domínio da complexidade do Direito e da dogmática jurídica. Não é apenas essa a razão pela qual o homenageamos nesta noite. O senhor é um bom homem que se preocupa com as pessoas, dotado de valores que não são sazonais, mas eternos. Além disso, o senhor é um educador. O educador é a ponte entre o conhecimento e o mundo, e educar é isso: moldar o futuro, uma mente de cada vez. É por isso que o senhor foi lembrado nesta noite e sempre será pelos seus alunos, não somente por suas qualificações profissionais e seus títulos notáveis, mas pelo amor que transmite ao ensinar as lições de Direito Civil aos alunos da EMERJ. Portanto, nesta placa fica eternizada, na resistência do metal, a nossa homenagem ao seu trabalho digno, competente e inspirador em sala de aula. Nossa turma é grata ao senhor pela sua dedicação e pela notável paixão com que ensina o Direito Civil. Muito obrigado!”

O paraninfo da turma, doutor Thiago Ferreira Cardoso Neves, salientou: “Formatura vem de formar, e formar é dar forma, tomar forma. Hoje vocês se formam como alunos da EMERJ. Isso significa que vocês ganham uma nova forma. Uma forma que vocês não tinham antes, que é a forma desta Escola, e vocês vão carregá-la por toda a vida. Por toda a vida vocês levarão, marcada em suas mentes, a EMERJ, mas também em suas petições, pareceres, sentenças e acórdãos. Isso os faz diferentes de todos os demais profissionais e operadores do Direito. E os faz diferentes porque vocês estão se formando na melhor escola de Direito do país. E ela é a melhor não porque seja perfeita, porque nenhuma é. E, se fosse, no momento em que nós passássemos pelas portas para entrar, deixaria de ser perfeita, porque somos todos imperfeitos. Essa é a melhor escola de Direito do país porque é formada por pessoas que, embora imperfeitas, têm qualidades ímpares. E, por estarem se formando nela, vocês também são os melhores. Quando tiverem dúvidas disso, podem procurar qualquer um de nós, professores que estamos nesta bancada, e nós vamos dizer e confirmar isso para vocês. O meu rigor sempre foi para extrair o máximo de vocês, exatamente porque eu acho que vocês são os melhores. Eu sei que posso exigir e extrair o máximo de vocês. Um dia, quando estiverem aqui, deste lado da bancada, vocês vão entender. E eu sei bem o que estou dizendo, porque, há 19 anos, neste mesmo auditório, eu estava sentado aí, desse lado.”
Dando continuidade às homenagens, a aluna Ariane Santos Pereira da Silva, da Turma CP-VI A, realizou a entrega da placa à patrona da turma, promotora de Justiça Elisa Ramos Pittaro Neves, e relatou: “Professora, antes mesmo de conhecê-la, muitos de nós já havíamos ouvido inúmeros elogios de ex-alunos. Eles falavam da excelência das suas aulas, da sua generosidade e da forma como a senhora se dedicava aos seus alunos. Naturalmente, isso despertou em nós uma grande expectativa. Mas quando finalmente tivemos o privilégio de conhecê-la, percebemos que a realidade era ainda melhor do que tudo o que tinham nos contado. Descobrimos que, por trás da promotora de Justiça admirada, existe uma educadora extraordinária. Uma professora que não apenas ensina o Direito, mas desperta em seus alunos o desejo de compreendê-lo, de vivê-lo e de exercê-lo com responsabilidade, ética e compromisso com a Justiça. A senhora nos mostrou que ensinar não é apenas explicar a lei, apresentar teorias ou interpretar a jurisprudência. Ensinar é inspirar, provocar reflexões, despertar o senso de justiça, incentivar o pensamento crítico e fazer com que cada aluno saia da sala de aula acreditando um pouco mais no poder transformador do Direito. Professora Elisa, talvez a senhora nunca saiba exatamente o alcance da sua influência, talvez nunca conheça todas as histórias que ajudou a transformar, todos os sonhos que fortaleceu ou todas as escolhas profissionais que serão inspiradas pelos valores que nos transmitiu. Mas pode ter certeza de que sua contribuição permanecerá para sempre na memória e na trajetória de cada um de nós. Hoje encerramos um importante ciclo. Cada um seguirá um caminho diferente, mas todos levaremos um pouco da senhora conosco.”

A patrona da turma, promotora de Justiça Elisa Ramos Pittaro Neves, ressaltou: “Estar aqui hoje representa muito mais do que estar presente em uma cerimônia de encerramento de um ciclo acadêmico. Significa testemunhar a concretização de um sonho de todos vocês, que foi construído com disciplina, renúncia, perseverança e, acima de tudo, coragem, porque vocês escolheram o caminho mais difícil, o caminho que vai apresentar uma infinidade de obstáculos e imprevistos. Haverá momentos em que vocês vão duvidar de vocês próprios, da sua capacidade e da sua força, mas eu sei que nada disso intimida vocês, porque todos vocês sabem que o maior fracasso de um ser humano é desistir dos seus sonhos. E saibam que, por isso, eu tenho uma tremenda admiração por cada um de vocês. Cada diploma simbólico entregue nesta noite carrega uma história única. História de profissionais que conciliaram a intensa rotina de trabalho com os estudos e que abriram mão de momentos de descanso, do convívio familiar e de tantas outras oportunidades em nome de um propósito maior, que é o aperfeiçoamento do conhecimento. Eu espero que nunca falte a coragem que vocês já demonstram para defender o que é justo e certo, a seriedade para enfrentar as adversidades que surgirão e a humildade para reconhecer que há sempre algo novo para aprender. Mas nunca se esqueçam de que, por trás de cada processo, existem seres humanos; por trás de cada contrato, existem expectativas; e, por trás de cada decisão que os senhores, como juízes, tenho certeza de que tomarão, haverá consequências que atingirão famílias e, muitas vezes, comunidades inteiras. Não se esqueçam de que, ao tocar uma alma humana, jamais percam a sua essência, que é fazer o bem.”
Demais homenagens
O aluno da Turma CP-VI C Maycon Azevedo Pisani dos Santos realizou, em nome da turma, uma homenagem ao funcionário da EMERJ Carlos Frederico do Couto, e relatou: “O Fred foi nosso assistente justamente no período que tinha tudo para ser o mais árduo da nossa caminhada. Ele teve o dom de tornar tudo melhor e mais leve. Em um ambiente que exige tanto de nós, ter alguém com a empatia, a paciência e a dedicação dele fez muita diferença. Ele não foi apenas a pessoa que organizava as demandas; foi o nosso porto seguro. Fred, a sua ajuda diária, a sua parceria genuína e os seus conselhos nos momentos de incerteza foram cruciais não só para que vencêssemos aquele semestre, mas também se tornaram lições que levaremos por toda a nossa vida profissional e pessoal. Você nos ouviu quando o cansaço batia e nos ajudou a manter o foco no nosso objetivo final. Você entrou na nossa turma com o crachá de monitor, mas hoje sai dela com um título muito maior: o de nosso grande amigo.”

O Sr. Carlos Frederico do Couto pontuou: “Eu parabenizo todos os alunos e alunas das duas turmas que hoje finalizam um ciclo de suas vidas, formando-se, como disse o ilustre professor doutor Thiago Ferreira Cardoso Neves, na melhor escola de Direito do país. Vocês chegaram aonde muitos gostariam de estar e renunciaram a muitas coisas e momentos, mas chegaram e venceram. Foi um privilégio conhecer pessoas tão especiais como vocês. Parabéns pela vitória que é chegar até aqui, de forma digna e honesta. Muito obrigado por essa homenagem.”
A aluna da Turma CP-VI A Júlia Mendes Lins e Silva realizou, em nome da turma, uma homenagem ao funcionário da EMERJ Sérgio Sidnei Sodré de Almeida, e pontuou: “Enquanto percorremos essa caminhada, quase nunca percebemos o que permanecerá conosco. É somente quando ela termina que descobrimos quais momentos resistiram ao tempo. E, quase sempre, ainda que os grandes acontecimentos deixem suas marcas, são os pequenos gestos que, em retrospecto, revelam uma dimensão inesperada. É sobre um desses singelos gestos, e sobre a pessoa que o transformou em rotina, que gostaria de falar hoje. O Sérgio tinha a missão de zelar pela segurança desta Escola. Mas fez muito mais do que isso. Quiçá sem perceber, ajudou a preservar aquilo que nenhuma instituição de ensino pode se dar ao luxo de perder: a sua humanidade. Ele talvez não imagine, mas em manhãs de prova, quando o nervosismo falava mais alto; em tempos de cansaço, quando o peso da rotina se fazia presente; ou mesmo naqueles momentos em que cada um carregava, silenciosamente, suas próprias preocupações, um simples “bom dia”, acompanhado de um sorriso sincero e do desejo de uma boa aula, tinha o poder de alterar o tom do restante da jornada. Há gestos cuja grandeza se revela justamente na simplicidade.”

O Sr. Sérgio Sidnei Sodré de Almeida destacou: “É uma grande satisfação, e me sinto muito honrado por receber esta homenagem hoje. Aos queridos formandos, muito obrigado. Sou muito grato por essa homenagem tão especial e inesquecível. Parabenizo a todos por esta cerimônia de formatura e desejo muito sucesso, conquistas, vitórias e muitas realizações em suas carreiras profissionais. Que sejam, verdadeiramente, muito felizes.”
Agradecimento dos alunos
Oradora da Turma CP-VI A
A aluna Vitória do Bem Machado Leite declarou: “Finalmente chegou o grande dia! Hoje nos reunimos para celebrar o encerramento da nossa formação na Escola da Magistratura. O encerramento de três anos intensos, os quais eu definiria com a palavra ‘imersão’. Quando entramos aqui, somos convidados a submergir completamente nessa experiência intensa, impossível de ser vivida levianamente. Acho que, justamente por isso, quando fui eleita para ser a oradora da turma, fiquei profundamente honrada. Mas, junto com isso, confesso, senti também um certo receio. Receio porque representar uma turma tão grande e tão rica em histórias não é uma tarefa simples. Ao pensar no que poderia dizer hoje, percebi que o mais importante não era falar sobre o fim desta jornada, mas sobre aquilo que aconteceu enquanto a percorríamos. Vivemos tempos que exaltam a ideia de que ‘você é o único responsável pelo seu sucesso’. O tempo todo ouvimos que nossas conquistas e nossos fracassos dependem exclusivamente da nossa força de vontade. É uma cultura que exalta a autonomia individual e transforma a vida quase em uma competição permanente. Mas será que isso é verdade? A experiência que tivemos aqui me ensinou algo diferente, ela me lembrou da potência do encontro. Em uma turma numerosa como a nossa, aprendemos rapidamente que conviver não é algo automático. O diálogo, ao mesmo tempo em que nos aproxima, também nos desafia. É na conversa que aparecem as diferenças, as opiniões divergentes, as expectativas distintas e, vez ou outra, alguns pequenos conflitos. Nós até passamos por alguns, nada muito grave. Apenas o suficiente para provar que, embora preparados para performar como verdadeiras máquinas jurídicas, no final das contas seguimos sendo profundamente humanos. E essa é, na minha humilde opinião, a parte mais bonita, porque ninguém enxerga o mundo exatamente da mesma maneira. Quando estamos verdadeiramente dispostos a escutar, descobrimos que existe um universo inteiro que só se revela no encontro entre aquilo que eu ainda não sei e aquilo que o outro pode me ensinar. É justamente quando percebemos isso que passamos a olhar para quem está do nosso lado de um jeito diferente. Enquanto compartilhávamos as mesmas salas de aula, cada pessoa aqui carregava uma história que a maioria desconhecia. Histórias silenciosas, que nem sempre apareciam nas conversas ou nos corredores, mas que estavam presentes conosco todos os dias, em nosso íntimo. Havia quem enfrentasse o luto, quem cuidasse de familiares, quem lidasse silenciosamente com ansiedade, insegurança, problemas de saúde ou simplesmente com o enorme esforço de continuar quando tudo parecia pedir uma pausa. Monja Coen escreve que: ‘O sofrimento de cada pessoa é único e o maior de todos, pois é o seu. Entretanto, quando somos capazes de sair do casulo individualista, podemos abrir as asas e voar além de nós mesmos.’ De certa forma, foi isso que vivemos aqui. Sem perceber, fomos aprendendo a olhar para além de nós mesmos. Descobrimos que um resumo compartilhado pode ser um gesto de cuidado; que uma mensagem enviada no grupo pode aliviar um dia difícil; ou que uma conversa no corredor pode devolver ânimo a alguém que já pensava em desistir. Ao longo desses anos, enfrentamos um ambiente exigente, competitivo e, muitas vezes, deveras ansiogênico. Mas acredito que chegamos até aqui porque ninguém caminhou completamente sozinho. Compartilhamos materiais, dúvidas, resumos, desesperos pré-prova e informações enviadas em horários que nem deveriam existir. Celebramos aprovações, consolamos frustrações e estendemos a mão quando alguém precisava. Foi assim que construímos muito mais do que uma turma. Ao descobrirmos que o caminho fica mais leve quando percorrido em companhia, construímos uma comunidade. Essa talvez seja a maior riqueza que levamos. Porque essa rede só foi possível graças à diversidade de trajetórias que se encontraram nesta sala. Aqui convivemos com pessoas que estavam iniciando suas carreiras, que vieram aprofundar conhecimentos e outras que decidiram mudar completamente de caminho. Pessoas que tiveram a coragem de começar ou a de recomeçar.”
Oradora da Turma CP-VI C
A aluna Júlia Collistet da Rocha Reis concluiu: “Hoje celebramos mais do que a conclusão de uma etapa acadêmica. Celebramos a escolha que fizemos de nos preparar para trilhar o caminho das carreiras jurídicas — uma escolha que exige coragem, disciplina e compromisso com a Justiça. Ao longo desses anos, aprendemos muito além das normas e dos precedentes. Aprendemos que o Direito se revela, sobretudo, nas pessoas: em suas histórias, em seus conflitos e em suas esperanças. A caminhada até aqui não foi simples. Foram anos de estudos intensos, dúvidas, renúncias e desafios diários. Muitos precisaram deixar suas cidades e famílias para viver no Rio de Janeiro, outros enfrentaram longas horas de deslocamento para estar presentes em sala de aula. Tivemos colegas que vieram diariamente de São João de Meriti, Nova Iguaçu, Maricá, Niterói, Campo Grande, São Gonçalo e tantos outros lugares, movidos pelo mesmo propósito que hoje nos reúne aqui. Muitos também conciliaram a rotina da EMERJ com suas carreiras profissionais — nem sempre no ramo jurídico. Entre nós, há advogados, servidores públicos, residentes, policiais e professores. Houve, ainda, aqueles que tiveram a coragem de interromper projetos pessoais e profissionais para se dedicar integralmente a este sonho. Hoje, ao olharmos uns para os outros, não vemos apenas colegas, mas trajetórias de esforço, histórias de superação e sonhos que começam a ganhar forma. Se eu pudesse definir nossa turma, diria que fomos discretos, porém profundamente unidos. Ao longo dessa jornada, compartilhamos materiais, experiências, apoio emocional e, acima de tudo, companheirismo. Em cada dificuldade, havia sempre alguém disposto a ajudar. É justamente isso que torna esta conquista tão significativa: ninguém chegou até aqui sozinho. Aos nossos professores, expresso nossa mais sincera gratidão. Muito mais do que transmitir conhecimento, vocês nos ensinaram a dimensão ética e humana da missão que escolhemos exercer. Também agradecemos aos funcionários da EMERJ, que sempre nos acolheram com respeito, atenção e gentileza, tornando esta instituição não apenas um espaço de excelência acadêmica, mas também um ambiente verdadeiramente humano. Às nossas famílias e amigos, nosso reconhecimento mais profundo. Vocês sustentaram nossos dias difíceis, compreenderam nossas ausências e celebram hoje esta conquista ao nosso lado. Este momento também pertence a vocês. E a nós, formandos, fica um compromisso: que jamais nos falte coragem para decidir com justiça, humildade para continuar aprendendo e sensibilidade para nunca esquecer que, por trás de cada processo, existe uma vida; que não nos percamos na frieza das rotinas, nem nos afastemos do propósito que nos trouxe até aqui. Hoje encerramos um ciclo, mas, na verdade, estamos apenas começando, porque, se Deus quiser, muito em breve retornaremos à EMERJ para o Curso de Formação de Magistrados. Que sejamos dignos da toga que um dia vestiremos e, sobretudo, da confiança que a sociedade depositará em nós. Parabéns a todos nós!”

Encerramento
A conselheira consultiva da EMERJ e magistrada supervisora de Pedagogia e Ensino da Escola, desembargadora Patrícia Ribeiro Serra Vieira, encerrou: “Nós chegamos à nossa etapa de encerramento da cerimônia nesta tarde/noite agradável e emocionante. Eu saio daqui muito feliz e orgulhosa por todos, por todas e por tudo o que aqui foi celebrado, porque, quando nós celebramos uma formatura, celebramos a Escola, a sua fundação, os inúmeros desembargadores, juízes, professores, servidores e colaboradores que fizeram desta Escola o que ela é hoje. Eu quero que esta cerimônia permaneça na memória de todos os senhores como um momento de celebração, de reconhecimento e de legítima e forte esperança na educação e na formação humanística de excelência, que é o que a EMERJ deseja e vem aprimorando a cada dia. Que vocês sejam sempre vitoriosos.”
Mesa de Honra
Compuseram a mesa de honra da cerimônia: a conselheira consultiva da EMERJ e magistrada supervisora de Pedagogia e Ensino da Escola, desembargadora Patrícia Ribeiro Serra Vieira; o corregedor-geral da Justiça do Estado do Rio de Janeiro e professor homenageado pela Turma, desembargador Cláudio Brandão de Oliveira; a patrona da Turma, promotora de Justiça Elisa Ramos Pittaro Neves; o paraninfo da Turma, doutor Thiago Ferreira Cardoso Neves; o professor que dá nome à Turma, juiz Marco Antônio Azevedo Júnior; o secretário-geral da EMERJ, Francisco Budal; e a diretora do Departamento de Ensino da EMERJ, doutora Bianca Oliveira de Farias.

Assista
Para assistir na íntegra, acesse: https://www.youtube.com/watch?v=bg_h4VyoE8o
Confira as fotos da cerimônia: https://www.flickr.com/photos/emerjoficial/albums/72177720334668216/with/55392128000
Fotos: Mariana Bianco e Diego Antunes
10 de julho de 2026
Departamento de Comunicação Institucional (DECOM)