O Fórum Permanente de Estudos Clássicos, Direito e História da Escola da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro (EMERJ), o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) e o Observatório de Pesquisas Felippe de Miranda Rosa do Centro Cultural do Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro (CCPJ-RJ) realizaram, nesta terça-feira (18), o programa LiterarIUS, que abordou o tema Ler a Bíblia no Século XXI. O evento aconteceu no Auditório da Mútua dos Magistrados.

Abertura
Na abertura, o presidente do fórum, doutor em História pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e em Direito pela Universidade Veiga de Almeida (UVA), desembargador Carlos Gustavo Direito, destacou a importância do evento como espaço de reflexão sobre a leitura e a interpretação da Bíblia a partir de perspectivas contemporâneas. O magistrado ressaltou a relevância do diálogo entre diferentes áreas do conhecimento para ampliar a compreensão das narrativas bíblicas e de sua influência na formação histórica, cultural e social.

Palestrantes
O doutor em História Comparada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), pastor Kleber Lucas, foi responsável pela exposição “O Mito de Cam: Uma Releitura Crítica da Subalternidade e Expropriação nas Narrativas Abraâmicas”. Em sua apresentação, o palestrante propôs uma análise crítica da narrativa de Cam, personagem bíblico associado à tradição abraâmica, examinando como diferentes interpretações dessa passagem foram construídas ao longo do tempo. A discussão abordou, ainda, a utilização dessas narrativas na elaboração de discursos de subalternidade e de expropriação, contribuindo para uma leitura crítica das relações entre textos religiosos e processos históricos e sociais.

Já o doutor em História pela Universidade de Brasília (UnB), padre Luís Corrêa Lima, apresentou a palestra “A Bíblia, a Escravidão Negra e a Modernidade”. O tema permitiu discutir as relações entre as narrativas bíblicas e as diferentes interpretações que, ao longo da história, foram mobilizadas para compreender ou justificar a escravidão negra. A exposição também trouxe uma reflexão sobre o lugar da Bíblia na construção de ideias e práticas sociais na modernidade, considerando as transformações históricas e os diferentes contextos em que seus textos foram interpretados.

A mediação ficou a cargo da mestre em História Social da Cultura pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), Agnes Alencar.

Fotos: Diego Antunes
18 de agosto de 2026
Departamento de Comunicação Institucional (DECOM)