O Fórum Permanente de Diálogos do Judiciário com a Imprensa da Escola da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro (EMERJ) realizou, nesta quinta-feira (27), no Auditório Desembargador Joaquim Antônio de Vizeu Penalva Santos, o evento Imprensa e Controle do Judiciário. O encontro contou com transmissão via plataforma Zoom e tradução em Libras.

Abertura
O diretor-geral da EMERJ e mestre em Ciências Penais pela Universidade Candido Mendes (Ucam), desembargador Cláudio dell’Orto, destacou: “É sempre um prazer, uma honra e um orgulho muito grande receber a professora Maria Tereza Aina Sadek na EMERJ e ter a contribuição da senhora para esse debate, que já travamos há muitos anos, desde a época da Associação dos Magistrados Brasileiros, quando fui diretor de comunicação. Esse tema é certamente muito relevante e eu diria que tem aqui uma diferença muito grande entre como a imprensa lida com o Judiciário e como o Judiciário lida com a imprensa, e acho que é sobre isso que precisamos discutir. Mas tem algo que me chama a atenção desde o início, que é a velocidade da substituição das pessoas na imprensa. Ao longo de muitos anos, tivemos a oportunidade de visitar redações e, cada vez que vamos lá, encontramos outras pessoas. O Judiciário é mais estável, as pessoas que estão exercendo as funções dentro do Poder Judiciário são as que têm essa possibilidade de interlocução. Então, acho que esse é um dos objetivos do desembargador Fernando Foch quando realiza esse debate sobre imprensa e controle do Judiciário: como podemos ter instrumentos para a interlocução entre o Judiciário e a imprensa, da forma como nós nos enxergamos e da forma como podemos contribuir para que um país seja mais democrático e para termos uma sociedade mais justa, pluralista, igualitária e sem discriminações.”

O presidente do fórum, conferencista emérito da Escola Superior de Guerra (ESG) e mestre em Direito Constitucional pela Universidade Estácio de Sá (Unesa), desembargador Fernando Foch, pontuou: “A democracia tem dois pilares: um é o Poder Judiciário, que é a função judicial do Estado, e o outro é a imprensa/mídia, que representa a sociedade. O diálogo entre os dois é fundamental, e nós temos uma missão, que é defender a ordem política democrática deste país. No entanto, não nos entendemos, em grande parte pelo preconceito entre os magistrados, que vem melhorando, e por conta de uma certa incompreensão da imprensa, especialmente por causa da linguagem. Os membros do Judiciário ainda não entenderam, mas vão entender um dia, que o importante na comunicação não é o que o comunicante acha que comunicou, e sim o que o destinatário da comunicação entendeu. Nós temos que mudar um pouco a linguagem. Não digo isso sobre mudar a linguagem técnica da sentença e dos acórdãos, mas essa interlocução deve ser feita.”
Entrevistada
A professora sênior da Universidade de São Paulo (USP) e do Centro de Estudos de Direito Econômico e Social (CEDES) e doutora em Ciência Política pela USP, Maria Tereza Aina Sadek, declarou: “Me sinto muito privilegiada de estar aqui e acredito que o Fórum Permanente de Diálogos do Judiciário com a Imprensa é uma grande iniciativa da EMERJ. Este tema sobre imprensa é um assunto que sempre foi importante, mas agora está no seu ápice, devido a situações concretas recentemente ocorridas, inclusive envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) e um dos ministros. Eu li o livro do professor Joaquim Falcão, o conheço bem, e a crítica que ele faz é muito mordaz e com muita razão em diversos aspectos. Eu acho que nós estamos em uma situação que é bastante grave e que vários analistas chamam de crise. Eu não sei qual é a profundidade dessa crise, mas eu não tenho sombra de dúvidas de que há uma crise, porque os pesos e contrapesos e controles existentes, quando se pensa na arquitetura democrática, têm funcionado de uma forma muito deficiente. Isso não abrange apenas o Legislativo, o Executivo e o Judiciário, também abrange os outros órgãos de controle, como o Tribunal de Contas e todas as instituições criadas com a finalidade de exercer algum tipo de controle, e a imprensa se destaca nisso. Nos últimos tempos, nós temos lido que a imprensa tem um papel muito relevante, não apenas nas investigações, como também nas questões do cotidiano, e não apenas a mídia escrita e falada, mas também os novos canais de manifestação e as redes sociais.”

Entrevistadores
Durante o evento, os entrevistadores: a doutora em Direito Civil pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e conselheira do Conselho Consultivo da EMERJ, desembargadora Patrícia Ribeiro Serra Vieira; a vice-presidente do Fórum, professora convidada da EMERJ e doutora em Direitos Humanos pelo Instituto Ius Gentium Conimbrigae, juíza Flávia de Almeida Viveiros de Castro; o jornalista e professor convidado da Pós-Graduação em Jornalismo da Uerj e mestre em Comunicação Social pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), Geraldo Mainenti; e a jornalista, advogada e membro do Fórum, Paolla Serra, participaram do diálogo com a entrevistada, professora sênior da USP e do CEDES e doutora em Ciência Política pela USP, Maria Tereza Aina Sadek, contribuindo para o debate sobre a relação entre imprensa, Judiciário e os mecanismos de controle e fiscalização da atuação das instituições.

Assista
Para assistir na íntegra, acesse: https://www.youtube.com/watch?v=2TuAr62tj9Y
Fotos: Diego Antunes
27 de agosto de 2026
Departamento de Comunicação Institucional (DECOM)