O Fórum Permanente de Liberdade de Expressão, Liberdades Fundamentais e Democracia; o Fórum Permanente de Justiça Multiportas, Mediação e Justiça Restaurativa; o Núcleo de Pesquisa em Liberdade de Expressão, Liberdade de Imprensa e Mídias Sociais (NUPELEIMS) e o Núcleo de Pesquisa em Métodos Alternativos de Solução de Conflitos (NUPEMASC), todos da Escola da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro (EMERJ), realizaram, nesta quinta-feira (10), o encontro “Agnotologia, Fake News e Desinformação: Liberdade de Expressão no Estado de Direito.”
O encontro, promovido em parceria com a Escola de Mediação (EMEDI), aconteceu no Auditório Desembargador Paulo Roberto Leite Ventura, com transmissão via plataforma Zoom e tradução simultânea para a Língua Brasileira de Sinais (Libras).
Abertura
A abertura do evento foi conduzida pelo presidente do Fórum Permanente de Justiça Multiportas, Mediação e Justiça Restaurativa da EMERJ e da EMEDI e doutor em Direito pela UNESA, desembargador do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ) César Felipe Cury, que declarou: ”O tema é de extrema importância, ao qual nos dedicamos muito na EMEDI, agora estendido à questão da liberdade de expressão no ambiente tecnológico e à instrumentalização da tecnologia e, por meio dela, ao uso da linguagem como produtora de ideologias ou também de desinformação.”
O presidente do Fórum Permanente de Liberdade de Expressão, Liberdades Fundamentais e Democracia da Escola, professor do Programa de Pós-Graduação em Direto (PPGD) da Universidade Estácio de Sá (UNESA) e doutor em Direito pela UNESA, desembargador do TJRJ André Gustavo Corrêa de Andrade, ressaltou:”O título do nosso encontro reúne três conceitos que se relacionam, mas não se confundem. E, desses três, o menos familiar talvez seja o primeiro: Agnotologia. Ela designa o estudo da produção da ignorância. Isso nos obriga a abandonar uma concepção muito simples, segundo a qual ignorância seria ausência de conhecimento. A ignorância pode ser deliberadamente produzida, pode resultar na criação sistemática de dúvidas, na ocultação de informações relevantes, na multiplicação de versões contraditórias entre si ou na tentativa de desacreditar instituições responsáveis pela produção do conhecimento. Isso me permite entender melhor o problema contemporâneo da desinformação.”
Palestrante
O evento recebeu como convidada a professora titular do Departamento de Filosofia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), pesquisadora sênior do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e doutora em Filosofia pela Freie Universität Berlin, Maria Clara Dias, que relatou:”Essa é uma questão que, na Filosofia, se discute há mais de 25 mil anos. Me parece que a questão é mais o uso específico da linguagem, que tem um viés meramente performativo. No caso atual das fake news, toda vez que é propagada, ela não apresenta um conhecimento falso. Quando falamos de conhecimento, já lá nos clássicos, o conhecimento divide os nossos enunciados em verdadeiros ou falsos. A própria dúvida sobre a verdade ou falsidade é uma aquisição posterior ao reconhecimento de que algo é verdadeiro ou falso. Hoje em dia, as noções básicas foram colocadas em xeque. O principal problema das fake news é que nós não acreditamos mais em fatos comuns. Isso é devastador e torna a possibilidade de diálogo algo quase impossível. O tema das fake news quase esbarra no meu limite psicológico, porque é muito difícil dialogar justamente com alguém que não partilha de pressupostos do conhecimento básico. Toda vez que uma fake news é propagada, nós temos que nos perguntar pela responsabilidade de quem propaga essa fake news e de quem de alguma forma leva ela adiante. Temos dois níveis: o nível de quem cria, impulsiona esse processo, e de quem, de alguma forma, dá continuidade ao processo.“
Assista
Para assistir na íntegra, acesse: https://www.youtube.com/watch?v=Sr7EcYBHP4E
10 de setembro de 2026
Departamento de Comunicação Institucional (DECOM)