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EMERJ realiza o webinar “Fraudes Digitais e Contas-laranja: O Papel do Banco Central, das Instituições Financeiras e do Poder Judiciário”

Ícone que representa audiodescrição

O Fórum Permanente de Juizados Especiais Cíveis e Criminais da Escola da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro (EMERJ) realizou, nesta sexta-feira (9), o webinar “Fraudes Digitais e Contas-laranja: O Papel do Banco Central, das Instituições Financeiras e do Poder Judiciário”.

 O webinar contou com transmissão via plataforma Zoom e tradução para a Língua Brasileira de Sinais (Libras).

 Abertura

A abertura foi conduzida pelo presidente do fórum, juiz de Direito do TJRJ Flávio Citro Vieira de Mello, que declarou: ”Eu quero ressaltar a importância desse tema no dia a dia do Poder Judiciário e para a sociedade como um todo. A questão da conta-laranja se tornou foco da minha preocupação, dos meus estudos, a partir de um seminário que nós fizemos dentro do tribunal. Aprofundei a minha pesquisa e levantei pelo menos 60 casos diários de fraudes. Todos com um ponto em comum, que é o destino do dinheiro para uma conta-laranja. Antigamente, eram contas totalmente fraudadas; hoje em dia, é um pouco mais difícil essa fraude completa. Então, a maior parte dos recursos captados via estelionato é feita através de contas emprestadas, contas-laranjas.” 

Palestrantes 

O evento recebeu como palestrante o diretor de prevenção a fraudes do Itaú Unibanco Holding, Felipe Xavier Minhoto Tambelini, que relatou: ”Quando falamos em números, nós temos mais de 9 milhões de registros confirmados no primeiro semestre deste ano, em que há a presença de um telefone celular, conta corrente, Pix e engenharia social. Estamos falando aqui de golpes. Com o uso de IA, o que era antes um golpe muito trivial tem agora uma diversidade de narrativas de engenharia social assustadora. A IA facilita muito a vida do criminoso, organiza a narrativa para que ela se torne muito mais fundamentada. O golpe do falso advogado, por exemplo, que colhe informações abertas como as de ações judiciais que são públicas. A partir disso, se constrói uma narrativa muito sólida e nós vimos alguns episódios em que havia um ambiente físico planejado, estruturado, que reproduzia um tribunal, uma delegacia, para, através de uma ligação de vídeo, induzir a vítima a acreditar que está falando com uma autoridade.  Quando falamos de exposição, 81% dos adultos já relataram contato com golpes. 10% relatam ter tido uma perda financeira. O número que estimamos hoje na FEBRABAN gira em torno de 20 bilhões de reais de prejuízo das vítimas e dos bancos, com os ressarcimentos desse tipo de problema.”

O integrante do Fórum Permanente da Justiça na Era Digital da EMERJ e presidente da Comissão de Provas Digitais da OAB/RJ, Walter Capanema, pontuou: ”Quando se estrutura o modus operandi de toda essa operação, se percebe que há um trabalho prévio. Os criminosos digitais conseguem dados pessoais dessa vítima, entram em contato com ela e, ao fazerem contato, usam procedimentos de engenharia social, se valem de técnicas psicológicas para instigar a vítima a ter um comportamento inseguro, clicar em um link, passar as senhas, o cartão de crédito. A engenharia social é o lado psicológico em que a vítima é inserida. E toda essa estrutura tem como ambiente mais propício o WhatsApp, meio de comunicação em que o processo de autenticação do usuário é falho.” 

Encerramento 

A vice-presidente do Conselho Consultivo da EMERJ e vice-presidente do Fórum Permanente de Juizados Especiais Cíveis e Criminais da EMERJ, desembargadora do TJRJ Ana Maria Pereira de Oliveira, concluiu: ”Nós, quando começamos na Magistratura, não ouvíamos falar em engenharia social, arquitetura de fraude, risco de uma atividade lícita. Para mim, só ilícito tinha risco. Uma outra coisa que foi dita aqui também: epidemia de golpes, que é verdadeira. Acho que isso mudou o panorama da nossa atuação como juízes, a questão da engenharia social, a questão psicológica, porque nós hoje não vemos mais as partes do processo. Assim como os bancos não veem seus clientes, nós não vemos as pessoas. Outro fator é que tudo que é eletrônico chegou ao Judiciário, que também se desenvolve de forma eletrônica. Nós também perdemos o advogado que conhece o seu cliente. Ninguém se conhece mais, só se conhece números e palavras. Isso eu acho que é um grande complicador.” 

Assista

Para assistir na integra, clique aqui: https://www.youtube.com/watch?v=Nm5PyiJGgIo

 

 

9 de outubro de 2026

Departamento de Comunicação Institucional (DECOM)