Nesta terça-feira (13), o Fórum Permanente de Filosofia, Ética e Sistemas Jurídicos da Escola da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro (EMERJ) promoveu o evento “Ética e Inteligência Artificial: Cenários e Desafios”. O webinar contou com transmissão pela plataforma Zoom e tradução para Libras.
Abertura
O vice-presidente do fórum, desembargador federal aposentado Abel Fernandes Gomes, destacou: “É com imenso prazer que retomamos as atividades do nosso fórum, trazendo hoje, na sua 28ª reunião, o tema ‘Ética e Inteligência Artificial: Cenários e Desafios’. Hoje trouxemos essa temática, mas destaco que a inteligência artificial já é uma realidade com a qual convivemos e vamos continuar convivendo. Não é mais uma questão de ser contra ou a favor da inteligência artificial, ela é uma realidade. A questão toda me parece que gira em torno de como nós vamos lidar com ela nos seus diversos aspectos e desdobramentos.”
Palestrante
O professor de Filosofia da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e doutor em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), Leandro Pinheiro Chevitarese, ressaltou: “O primeiro ponto importante é que não podemos nunca perder de vista que a ética é uma reflexão cujas origens se encontram na Grécia Antiga. Ela é uma reflexão filosófica, é fundamental que nós sempre resgatemos os elementos filosóficos presentes na atitude ética. Quando fazemos a pergunta ‘Mas o que significa ética?’, sem dúvida, isso nos remete à necessidade de lembrar que a atitude filosófica grega deu origem àquilo que entendemos, desde essa época até a atualidade, como ética. E ali, naquele momento, particularmente com Sócrates, nós temos um movimento em que o logos, ou seja, a racionalidade discursiva, tenta ocupar o lugar de formular questões e interrogar a partir do thaûma, que é o termo que usamos para espanto, estranhamento e incômodo. Ou seja, não há reflexão ética ou filosófica sem que nós sejamos capazes de nos espantar com a realidade em que vivemos. É necessária a atitude de espanto, estranhamento e incômodo diante do mundo no qual habitamos. Sem isso, não é possível formular as questões necessárias e, a partir disso, elaborar possibilidades sob a perspectiva ética de enfrentamento do cenário em que vivemos.”
Debatedora
A advogada, professora do curso de Medicina da Universidade Estácio de Sá (UNESA) e mestre em Direito pela UNESA, Elaine Lacerda, pontuou: “Eu gostaria de iniciar esse debate falando que, enquanto o professor Leandro Pinheiro Chevitarese palestrava, eu pensei em como a ética atinge e, por isso, nós temos esse compromisso coletivo, porque atingimos a sociedade como um todo e somos atingidos também enquanto seres humanos. Por isso, a questão da ética é sempre aberta, porque ela demanda exatamente essa atualização, enquanto que a moral, a depender desses regimes mais fechados dentro de moralidades de grupos que podem escolher transgredir ou não, talvez seja ali uma punição dentro do grupo. Mas, quando trabalhamos com a questão ética, a gente, de fato, antecipou o uso da tecnologia, porque, antes de pensarmos o problema ético, nós já usamos e agora estamos entendendo como vamos tentar organizar ou equilibrar minimamente esse uso, de alguma forma que nos favorece na otimização do tempo, mas que, por outro lado, abre outros problemas que talvez demandem um senso crítico.”
Coordenador
A coordenação do evento ficou a cargo do integrante do Fórum Permanente de Filosofia, Ética e Sistemas Jurídicos da EMERJ e doutor em Direito pela UNESA, Marcos Carnevale Ignacio da Silva.
Assista
Para assistir na integra, clique aqui: https://www.youtube.com/watch?v=DWofKVbVDe0
Fotos: Diego Antunes
14 de outubro de 2026
Departamento de Comunicação Institucional (DECOM)